201506.22
0
0

Fim de janeiro

Sinto-me, hoje, especialmente melancólica. Talvez seja porque me detive a pensar nas flores de esgoto que vi brotar no caminho da viagem. Aquelas solidões . . . e fiquei comovida. Veja bem, como confiar em quem tem sentimentos e se envolve até com o sofrimento desgraçado das flores que dão no esgoto? Jamile Gonçalves

201506.22
0
0

A Poesia

Durmo na chuva das tuas palavras Choro lembranças da infância vivida Corro na sombra da noite acordada Moro na frase da fala extinta Galopo no ritmo do peito atacado Vivo no muro da ideia nascida Pelo silêncio do grito abortado Nego a ordem das cartas prescritas Sou a mais cristã do inesperado Pagãs são as…

201506.22
0
0

12 homens são fuzilados!

– Viva Charlie, viva a liberdade de expressão!!! Que a vingança do homem contra os seus faz cegar a humanidade Mas, espera, moça e olha mais uma vez.. Olha, quem veste as roupas das massas são os mestres da enganação!! Os sofistas estão nas ruas! Que antes nuas em um momento de indignação A dança…

201506.16
0
0

Um poema capitalista

Caminho pelo Shopping… Através da vitrine vejo belas pernas de 1 garota com um shortinho jeans desfiado, adentro a loja sem ao menos saber do que se trata, do que é vendido… A moça revela-se não tão jovem, mas ainda assim normalmente bela. Entre os copos, xícaras, passam meus olhos… Por mim um bebê num…

201506.16
0
0

Trem Noturno

O Trem passou pela estação das minhas lembranças. A fumaça foi se esconder nos escombros de guerra, a saudade corre entre a lamina dos trilhos e das rodas e os trilhos pipocam brasas de paixão. Cai uma chuva fina de melancolia maltratando um velho telhado. Alguém, da janela, de um trem, disse: Adeus. Jonhy Guimarães

201506.16
0
0

The Old Lady From the lake

A velha senhora do lago nadava num raro dia quente de inverno. A água estava tão clara,  límpida,  cristalina,  refrescante… nova. Mas ninguém sabia  os problemas que ela havia passado – visto.   O sol estava alto, quando ela segurou  seu rosto  – com suas mãos – e  chorou.   O tempo passa amiúde, enquanto…

200907.24
0
0

O primeiro morto

por João Filho Não houve um Éden. A carne é perversa não porque fomos expulsos. O mais duro em nós. – Os ossos? Não. A fé.  Toda coisa esconde sua sombra, desimporta o que aplicares – práxis ou contemplação, não se revelam, impondo existimos. Movimento, talvez espúrio, ao que imaginamos e ao encontrado.  A carne…

200907.24
0
0

João Tenório e o desejo fujão

por Eduardo Sande João Tenório esfregou seus olhos, vindos de seu sono, acordado que fora pelo relinchar de Bonpeão. Relanceou o olhar para o animal apeado querendo ainda acostumar as vistas com o enluarado sertão. Divisou o semblante do cavalo com o olhar que, vindo da claridade de seus sonhos, ainda teimava em não se…

200907.24
0
0

Ingênua narrativa de um homem que dormiu demais

por José D’Assunção Barros (Universidade Rural do Rio de Janeiro) … Só fui acordar vinte anos depois. O Despertador tinha me traído — descaradamente! Tinha sido preparado para berrar às sete do dia seguinte, mas resolveu permanecer calado durante aquele “quinto” de século. Por fim, reuniu todas as suas forças de máquina em um berro…