201711.24
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Novo livro de João Carlos Salles, “A cláusula zero do conhecimento”

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A pretensão do livro A cláusula zero do conhecimento: estudos sobre Wittgenstein e Ernest Sosa de João Carlos Salles (Quarteto Editora, 2017) é oferecer uma reflexão de sabor wittgensteiniano a dois grandes programas de investigação da história da filosofia: o decorrente do problema de Molyneux e o da análise do conhecimento proposta por Gettier. Porém, a motivação principal dos textos escritos não pode ser compreendida sem considerar o contraponto com a obra de Ernest Sosa, fonte e tema de reflexão. O filósofo João Carlos Salles propõe, então, incluir, entre as cláusulas de definição de conhecimento, a condição “P é uma proposição” e suas consequências. As ações que importam para transformar algo em uma proposição (condições de significação) têm muitas consequências para a justificação do conhecimento (condições de verdades). Esse laço fica mais evidente com o desenvolvimento das epistemologias de Sosa, porque permite separar as virtudes que mantém um elo com a justificação daquelas que apenas favorecem a produção do conhecimento. Além disso, o livro aponta outras consequências: a cláusula zero acentua a relação entre questões de lógica filosófica e epistemológica e, na prática, pode promover debates relativos às virtudes para avaliação da segurança dos testemunhos, a constituição da memória e da percepção.


Ludwig Wittgenstein (1889-1951) foi um filósofo austríaco, naturalizado britânico, considerado um dos principais atores da virada linguística na filosofia do século XX. Suas principais contribuições foram feitas nos campos da lógica, filosofia da linguagem, filosofia da matemática e filosofia da mente. O único livro de filosofia que publicou em vida, o Tractatus logico-philosophicus, de 1922, exerceu profunda influência no desenvolvimento do positivismo lógico. A partir dos anos 1930, suas ideias, formuladas e difundidas nas Universidades de Cambridge e Oxford, impulsionaram outro movimento filosófico, a chamada “filosofia da linguagem comum”.


Ernest Sosa (1940), cubano radicado nos Estados Unidos, destaca-se pelas suas reflexões nos campos da epistemologia, da metafísica, da filosofia moderna e da filosofia da mente. Em seus livros Knowledge in perspective (1991) e A virtue epistemology (2007) defende uma forma de epistemologia virtuosa chamada de “perspectivismo virtuoso”, que distingue o conhecimento animal do conhecimento reflexivo.