Caipira_CAPA FINAL_CIAN 30.cdrO livro Caipira sim, trouxa não. Representações da cultura popular no cinema de Mazzaropi, de autoria de Soleni Biscouto Fressato, é fruto da tese de doutorado defendida em 2009 no Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais, com área de concentração em Sociologia. Partindo do pressuposto de que os filmes, mesmo não sendo produções de pesquisadores e sim de cineastas, mesmo os mais ingênuos e espetaculares, possuem informações, muitas vezes, precisas sobre determinada época e sociedade, Soleni tem por objetivo analisar a representação das práticas culturais caipiras no cinema de Amacio Mazzaropi. Assim, para a contemporaneidade sempre o filme é um registro, um documento da realidade. Porém, não se deve buscar a fidedignidade sócio histórica absoluta nos filmes. Eles são muito mais uma problematização da realidade, uma forma de abordar os problemas adormecidos.
O principal referencial teórico do livro é a obra A cultura popular na Idade Média e no Renascimento: o contexto de François Rabelais de Mikhail Bakhtin. Nela o autor explica que a cultura popular, pautada pelo cômico, utiliza-se do deboche e da sátira como uma forma de resistência aos valores e à ideologia dominante. Considerando essa ideia chave, dos 32 filmes de Mazzaropi, Soleni escolheu para analisar Chico Fumaça (1958), Chofer de praça (1958), Jeca Tatu (1959) e Tristeza do Jeca (1961), por acreditar que nesses filmes foi representada com mais intensidade a realidade social dos caipiras, inclusive a relação conflitiva com os proprietários de terra e com os hábitos e costumes citadinos. A partir da análise desses filmes (analisados à luz do período em que foram produzidos, ou seja, no contexto de hegemonia da política e ideologia desenvolvimentista, no entanto, não compactuando com suas propostas), Soleni conclui que a cultura popular neles representada caracteriza-se pela ambiguidade, algumas vezes subordinando-se, em outras se rebelando contra os valores dominantes e as regras instituídas.


Leia a entrevista da autora sobre o livro, no Espaço do Autor da Editora da Universidade Federal da Bahia (EDUFBA) e a resenha de Catarina Cerqueira publicada na Revista Aedos, Revista do Corpo Discente da Pós Graduação em História UFRGS.




cinematografoCinematógrafo. Um olhar sobre a história (Ed. da UNESP/ EDUFBA, 2009) organizado por Jorge Nóvoa, Soleni Biscouto Fressato e Kristian Feigelson traz para o público brasileiro diversos textos de autores franceses (Marc Ferro, Pierre Sorlin, Michèle Lagny, Sylvie Dallet e Sylvie Lindeperg, dentre outros), espanhóis (Angel Luis Hueso, Glória Camarero, Beatriz de las Heras e José Maria Caparros), norte-amerciano (Robert Rosenstone), mexicano (John Mraz), além dos brasileiros (Marcos Silva, Cristiane Nova, Sheila Schvarzman, José D’Assunção Barros e Antônio da Silva Câmara). O livro traz uma forma de abordagem específica para a história e para o cinema, enquanto memória, arte, documento e representação da história, quer nas suas manifestações ficcionais, ou sob a forma de documentários. Sua especificidade se encontra na originalidade desta abordagem que propõe também a inevitabilidade de uma abertura transdisciplinar que a relação cinema-história faz germinar.





cinema-historiaO livro Cinema-História: teoria e representações sociais no cinema (Ed. Apicuri, 2008), organizado por Jorge Nóvoa e José D’Assunção Barros, reúne artigos de pesquisadores que buscam, através das imagens em movimento, analisar a sociedade que as produziram. O cinema, quando surgiu, foi tratado como arte menor, diversão para iletrados. Entretanto, com o desenvolvimento desta forma de expressão, vários intelectuais passaram a freqüentar as salas cinematográficas e a considerar o cinema, ou pelo menos alguns filmes, como obras de arte. A partir dos anos 1970, o historiador francês Marc Ferro introduz, de forma definitiva, o cinema como fonte para a escrita da História. Tanto filmes de ficção, narrativas que abordam o tempo presente, passado ou até mesmo futuro, caso da ficção científica, quanto os cinema-documental e experimental, todos podem ser analisados e investigados pela História. Os textos que compõem este livro foram escritos por historiadores que trabalham a interação entre estas duas formas de apreensão, compreensão, análise e leitura da sociedade, aproximando a imaginação histórica da cinematográfica.




incontornavelEm um momento de crise do sistema capitalista, Marx permanece cada vez mais atual e incontornável. Os 15 artigos reunidos pelo professor Jorge Nóvoa no livro Incontornável Marx (EDUFBA, Editora da UNESP, 2007) mantêm em comum a perspectiva de uma leitura crítica e renovada das idéias de Karl Marx e rompendo com as leituras evolucionistas, teleológicas e economicistas da obra do filósofo alemão.
Escritos por intelectuais brasileiros e estrangeiros, estes textos estão agrupados em três grandes áreas:
Da história imediata: estrutura e crise;
Da história na longa duração: agentes e problemas históricos e
Da teoria: problemas teóricos e investigações.
O critério utilizado pelo organizador foi reunir objetos e problemáticas pouco estudadas por importantes autores que se reivindicam de modo diferenciado da teoria de Marx e que se encontram em pontos distintos do planeta. Boa parte deles se encontra atuando no Brasil, mas alguns outros vivem em outros países e são mais ou menos desconhecidos do “grande” público leitor brasileiro de Marx. São também desconhecidos de intérpretes e atualizadores brasileiros, especialmente as novas gerações de professores, pesquisadores e interessados diversos.