201702.27
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O Boi Multicor revoluciona com harmonia em canto, por Ângela Peroba

boimulticorIIGerações sucessivas foram ninadas nos mais diferentes contextos sócio/culturais com a cantiga do boi da cara preta, incutindo no consciente ou inconsciente coletivos, as raízes maléficas do racismo e do terrorismo (“boi da cara preta pega essa criança”…) e por aí vai a semeadura da ideologia da discriminação e preconceitos de todo tipo na sociedade.


Aquela cultura que era apresentada à criança desde bebê através da cantiga de ninar, passou a ser questionada e contestada com arte criativa desde que o educador Jorge Conceição em 1995 lançou O Boi Multicor. Um marco para um novo olhar está germinando nas ruas e em várias escolas por onde a boiada em teatro e livro tem circulado.


O livro, primeiro de uma série em curso, recriou o boi da infância, criando múltiplos raios de ação do personagem com diferentes roupagens, poesia,cores e falas do nosso cotidiano nos vários campos do existir.


Com arte e inteligência, O Boi Multicor conquista adeptos de todas as idades  propondo um despertar e refletir com  textos de Jorge Conceição e desenhos de Mário Affoba e Mário Sérgio Moura nos primeiros volumes  e mais recente,  o ilustrador Felippe Cardoso (Vol V a caminho do prelo). A proposta de conscientização/desconstrução do racismo e seus nefastos frutos é provocada em uma atmosfera lúdica, pacifista e sempre construtiva porque semeada com arte e humor criativo.


boimulticorCom fundamentos vivenciados, digeridos na sua longa jornada como professor de Geopolítica, disciplina que lecionou na UCSal durante treze anos, estudioso de abordagens holísticas na medicina; alimentação macrobiótica/vegetariana, ecologia/sustentabilidade e outros links em prol de uma melhor qualidade de vida , o professor Jorge Conceição, mentor da UNIRAAM- Universidade da Reconstrução Ancestral Amorosa, ponto de cultura no Pelourinho, agrega jovens artistas que “vestem a camisa” do boi multicor, também literalmente falando.


Com o traço leve  do desenhista/artista Felippe, as coloridas e pedagógicas páginas dos livros estão em camisas/abadás já embalados para o carná do Pelô. Às 16 horas, o Teatro do Boi Multicor estará animando as ruas com um suingue para corpo e alma de crianças e adultos que dão vazão à sua criança interior.


A boiada com suas vestes inspiradas pela cultura brasileira e um sabor da poesia contemporânea, exibe criativos chapéus de palha de coco pintados com riqueza  de símbolos e saias de estampas coloridas vestindo balaios que dançam fluentes  sobre o chão de pedras do Pelourinho.


boimulticorIAtravés de uma cultura educativa e uma critica edificante e pacifista traduzidas nas composições, a boiada multicor faz a sua parte, lavando  o carma de racismo e barbárie que assolaram o Pelô durante a escravidão.

Interagindo com o multi instrumentista Bira Reis na sua oficina mágica, na sexta, dia 17 de fevereiro, uma roda de integrantes da boiada, dentre outras tantas pessoas engajadas em um trabalho sócio/cultural/ artístico, pararam para uma conversa reflexiva sobre a importância da ação em torno dos sonhos e ideais dos participantes.


Bira citou o iniciado indiano  Krishnamurti, autor de inúmeros livros sobre a relevância da transformação do indivíduo para o bem coletivo,  ressaltando que o aprender está intrinsecamente ligado ao fazer.


Depois dos ensaios bem curtidos no Pelô, com a boiada e seu gingado encantando transeuntes de todo planeta, o Boi Multicor acolheu convite da coordenação do tradicional carnaval de Tubarão, em Periperi, participando  no sábado, dia 25, dos festejos no subúrbio.


A boiada cativa a todos que seguem seu canto que com  ludicidade, desconstroi toda forma de “igrejinhas” que levantam muros de apartheid.


A sede do Ponto de Cultura do Boi Multicor fica na Rua Maciel de Baixo, 13, no Pelourinho, de onde a boiada sai para conscientizar e alegrar o carnaval mais relax de Salvador.


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