201701.12
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A nova razão do mundo, de Pierre DARDOT e Christian LAVAL, publicado pela Boitempo, está entre os 10 melhores livros de não-ficção em 2016

Escolhida_Razão_do_mundo.inddCom o livro A nova razão do mundo, sobre a sociedade neoliberal, de Pierre Dardot (filósofo) e Christian Laval (sociólogo), a BOITEMPO publica uma obra incontornável. Pesquisadores e animadores dos Laboratórios SOPHIAPOL e QUESTION MARX, da Universidade de Paris, têm um papel importante nas ciências sociais na França que já se estende à vários países (Espanha, Itália, EUA, Canadá, Inglaterra), e agora ao Brasil. Contribuíram para a renovação do pensamento crítico a partir da herança de Marx e de sua atualização, aplicando-a aos problemas de uma sociedade mundial dominada pelo neoliberalismo. Este não é apenas um regime econômico, social e político. É também a forma através da qual nós sentimos e pensamos: um modo de vida específico. O que se acha em causa é a forma de existência na modernidade última. Sua norma fundamental é a competição mortífera modelando tudo da vida social introjetada na subjetividade dos indivíduos pelo capital e seu mercado. Se – como diria Marx, a produção de mais-valor visando o lucro é a lei absoluta do capitalismo, a razão neoliberal – como disse Foucault, é a mesma coisa piorada. Ela normatiza, objetiva e subjetivamente, ao extremo, a vida no planeta. 


Dardot e Laval nos “descrevem” nesta obra. Ao olharmos o Brasil hoje, ela desfila diante de nossos olhos: o estado de exceção, a lógica binária da política e sua “jaula de aço” a tentar nos aprisionar. Toda herança da tradição democrática e republicana termina subvertida e submetida à lógica neoliberal da concorrência à morte. A crise de governabilidade se universaliza como expressão contraditória que ultrapassa a vontade e o controle conscientes dos antigos agentes sociais. Estes se tornaram dominados pelo que André Gorz pensava ser uma “cumplicidade estrutural”. Mas vê-se também as “contra condutas” que instituem novas práticas, impedindo que tudo seja apenas função da razão neoliberal, vez que novos movimentos a contestam. 


Por Jorge Nóvoa

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