201607.24
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Crise política e escalada do capital no Brasil

De Rosa Maria Marques e Patrick Rodrigues Andrade


Desde a reeleição de Dilma Rousseff, em outubro de 2014, o país viu-se emerso numa crise aberta. De fundamento aparentemente econômico, de início, rapidamente se configurou em crise política, o que resultou na abertura do processo de impeachment da presidenta eleita. E a despeito da abertura do impeachment, a crise política não parece estar resolvida, mesmo do ponto de vista dos “de cima”.
Os últimos “vazamentos” de conversas gravadas entre importantes membros do PMDB (Partido do Movimento Democrático Brasileiro), publicados no jornal a Folha de São Paulo, que envolvem, entre outros, o ex-presidente José Sarney e o atual presidente do Senado, é apenas um dos inúmeros indícios de que as classes dominantes não conseguiram, até o momento em que este artigo estava sendo finalizado, fazer um acordo que contemple seus interesses no plano da representação política. Se, por um lado, está claro qual é o projeto de sociedade que desejam implantar, o que exige completar as reformas neoliberais iniciadas nos anos 1990, por outro, não dispõem de um partido e de lideranças capazes de dirigir esse processo sem criar maiores instabilidades. E o fato de parte significativa dos deputados e dos senadores estarem envolvidos em processos em nada ajuda, fomentando a desconfiança, cada vez maior, junto a setores da classe média até então favoráveis ao impeachment, de que este foi em parte alimentado pelo compromisso assumido por grandes figuras da política, de dar um fim à “Operação Lava-Jato”3, com vista a que essa não envolvesse os partidos da oposição e se restringisse ao Partido dos Trabalhadores (PT).


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