201711.04
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Teko Porã, o Bem Viver indígena como alternativa às práticas destrutivas do capitalismo

sumakkawsay


“Dentro do capitalismo não há solução para a vida; fora do capitalismo há incerteza, mas tudo é possibilidade. Nada pode ser pior que a certeza da extinção. É tempo de inventar, é tempo de ser livre, é tempo de viver bem” (Ana Esther Ceceña).


“O Bem viver é uma oportunidade para construir outra sociedade, sustentada em uma convivência cidadã, em diversidade e harmonia com a natureza, a partir do conhecimento dos diversos povos culturais existentes no país e no mundo” (José María Tortosa).



Sumak Kawsay (em quíchua), Suma Qamaña (em aimará) e Teko Porã (em guarani) são palavras que possuem o mesmo significado: o Bem Viver. Trata-se de uma importante contribuição dos povos e comunidades indígenas para a crise civilizacional que vivemos na contemporaneidade.


O Bem Viver é uma filosofia de construção e universal que integra a cosmologia e o modo de vida das nacionalidades indígenas, e está presente nas mais diversas culturas. Seu pressuposto básico é o convívio respeitoso com Pacha Mama, a Mãe Terra. Seu significado é viver em aprendizado e convivência com a natureza, compreendendo que somos “parte” dela e que não podemos viver “à parte” dela, o que inclui os demais seres do planeta. Apenas respeitando a natureza e todos os seus seres, teremos a garantia de uma vida digna. Na proposta do Bem Viver não apenas o ser humano é o centro do processo, mas o ser humano vivendo em comunidade e harmonia com a Natureza, numa relação de respeito.


Nesse sentido, o Bem Viver, de forma política, aponta os limites do produtivismo, do consumismo e do desenvolvimentismo capitalistas que, de forma desenfreada e fútil, levarão, inevitavelmente, a humanidade ao colapso civilizatório. O capitalismo é o sistema da desigualdade e da devastação, mas isso não significa que deverá primeiramente ser superado para que depois passe a existir o Bem Viver. Valores, práticas e experiências do Bem Viver já estão presentes em várias sociedades e vários grupamentos humanos já utilizam de suas práticas e filosofia.


É chegado o momento de as pessoas se organizarem para recuperarem e reassumirem o controle de suas próprias vidas, não apenas defendendo a força de trabalho e opondo-se à exploração da mão de obra, mas, sobretudo, superando esquemas antropocêntricos de organização produtiva, que culmina com a destruição do planeta. O Bem Viver resgata os valores de uso, abrindo as portas para uma formulação de visões alternativas de vidas e de organização econômica.


O Bem Viver está fundamentado na vigência dos Direitos Humanos e dos Direitos da Natureza, fortalecendo os valores básico da democracia: liberdade, igualdade e solidariedade, incorporando conceitos de vida em comunidade, inspirados no senso de reciprocidade.


Leia a reportagem O Bem Viver indígena e o futuro da humanidade.


Assista ao filme sobre as propostas do Bem Viver a partir da contribuição de indígenas e dos indigenistas do Conselho Indigenista Missionário (CIMi).


Assista a conferência de Alberto Acosta sobre os limites do desenvolvimento e a emergência de práticas do Bem Viver.


Baixe o livro de Alberto Acosta, O Bem Viver: uma oportunidade para imaginar outros mundos.


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