201609.05
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Prezad@s amig@s: O Partido Comunista e o governo popular da China continuam tendo uma interpretação questionável do princípio da não-intervenção de um país nos assuntos internos de outros países. O governo chinês manteve relações diplomáticas com o governo golpista de Pinochet e se recusou a abrigar em sua embaixada a perseguidos que buscavam desesperadamente refugiar-se...

Prezad@s amig@s:


O Partido Comunista e o governo popular da China continuam tendo uma interpretação questionável do princípio da não-intervenção de um país nos assuntos internos de outros países.


O governo chinês manteve relações diplomáticas com o governo golpista de Pinochet e se recusou a abrigar em sua embaixada a perseguidos que buscavam desesperadamente refugiar-se da sangrenta repressão que se seguiu.


Pouco depois, estabeleceu relações diplomáticas com o Brasil em plena ditadura militar.
Agora, recebe de forma amigável o presidente Michel Temer mal efetivado no cargo e antes da reunião do G-20, enquanto forças populares e democráticas, amigas da China, continuam contestando no Brasil a destituição da presidente Dilma Rousseff e denunciando o golpe parlamentar que a afastou.


Não existe parlamentarismo no Brasil para que se possa afastar uma chefe de governo por moção de censura por causa do “conjunto da obra” e por ter perdido a maioria parlamentar. E o impedimento é no presidencialismo um processo traumático que exige, entre outras causas sérias, a ocorrência indubitável de um crime de responsabilidade, o que não ficou demonstrado no caso da presidente Dilma Rousseff, julgada e condenada por motivos políticos e não jurídico-políticos. As frágeis acusações de emissão de três decretos de crédito suplementar sem a aprovação do Congresso Nacional e de atraso nos repasses de recursos do Tesouro ao Banco do Brasil para o pagamento de subsídios do Plano Safra, operações similares a tantas outras já praticadas por governos federais, estaduais e municipais, constituem mais pretextos do que causas, utilizados para afastar a chefe de governo e de Estado numa nova modalidade de ruptura democrática sem intervenção direta de forças militares, que se vai espraiando na América Latina.


Nessas circunstâncias excepcionais, por que o governo chinês não suspendeu as reuniões e negociações bilaterais com o governo brasileiro, aceitando apenas a inevitável participação do Brasil na reunião do G20? Parece evidente que a precipitada viagem do presidente Temer e de sua comitiva à China teve e continua tendo o objetivo primordial de buscar legitimação pelo governo chinês e pelos demais governos participantes da reunião do G20, enquanto no Brasil setores populares e democráticos ainda se batem nas ruas e no Supremo Tribunal Federal contra sua efetivação, acusando-o de golpista. Um país não constrói o socialismo ignorando as agruras dos demais povos e cingindo-se à defesa de seus interesses econômicos e de seu jogo político. Isso se voltará no futuro contra ele próprio e contra a construção pretendida do socialismo.


Que meus amigos e amigas que têm apoiado o golpe parlamentar contra a presidente Dilma, ou que, por outro lado, defendem sem restrições a política atual, interna e externa, do Partido Comunista e do governo popular da China relevem o atrevimento de discordar de ambos os grupos e de salvaguardar minhas convicções democráticas, socialistas e internacionalistas.


Duarte Pereira