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“Transformismo da esquerda” (Editora Prismas), novo livro de Eliziário Andrade

transformismo

 

Já faz algumas décadas que as metamorfoses das esquerdas levam-nas, cada vez mais para a “linha de menor resistência”, conforme a proposição de István Mészáros, aceitando atuar no terreno onde o inimigo é mais forte. Ao invés de travar as batalhas centralmente no mundo concreto das lutas e conflagrações sociais, nas arenas extraparlamentares, elas se embrenham e acabam por aderir às ações predominantemente institucionais, onde cada vez mais são engolfadas pela Ordem.

 

O governo petista talvez seja  o exemplo mais gritante desta tragédia mundial, mas que esteve presente também em várias partes do mundo. A avalanche de uma onda conservadora, ou, mais ainda, de uma era de contrarrevolução preventiva, para recordar Florestan Fernandes, no caso brasileiro, desembocou em um golpe parlamentar e institucional que levou Temer à Presidência da Republica, cujo objetivo não é outro senão avançar na devastação social sob hegemonia financeira. 

 

Aqui reside, então, a principal hipótese do livro: as esquerdas, ao persistirem nestas ações predominantemente institucionais e conciliadoras, sob inspiração quase sempre pós-moderna, terão algum futuro para a ação que busca a efetiva emancipação? Ou estarão, ao contrário, coroando o triste processo de transformismo (Gramsci) que as converte em um simulacro de transformação?

 

Segundo Eliziário Andrade, tal fenômeno ocorre quando a estrutura de poder vigente, abre a possibilidade de grupos subalternos migrarem em determinado momento da conjuntura e da sua vida política para as perspectivas e interesses políticos dominantes. Isso os faz abandonar seus projetos e migrarem em direção ao projeto da ordem dominante.

 

Mesmo que tal movimento realize algumas metamorfoses e mutações, elas não alteram o modus vivendi, mas entregam as forças das classes subalternas para a legitimação do projeto dominante. Em suas palavras, “trata-se de um movimento onde se efetua a passagem de uma fase para outra de uma mesma ordem social, mas sem alterar o conteúdo histórico do capitalismo, o conteúdo e lógica de reprodução do capital.” A recusa à via da confrontação dá lugar ao caminho negocial, da conciliação e da composição com as classes burguesas que mantém intocados os elementos estruturantes da dominação.

 

É nesta contextualidade que se desenham as engenharias do transformismo. O abandono da política de classe ao capital; o desenvolvimento do social-liberalismo e o abandono das praticas revolucionárias; a ênfase nas ações parlamentar e institucional;  as concessões aos valores da democracia do capital; a domesticação da esquerda; tudo isso – que é detalhado e tratado ao longo deste livro – acaba por selar a derrota das forças sociais do trabalho e sua adesão ao transformismo.

 

É essa dilemática que Eliziário Andrade enfrenta com coragem. Os leitores e leitoras podem e devem conferir.

 

por Ricardo Antunes (Campinas, maio de 2017)

 

Para comprar o livro, acesse o site da Editora Prismas.

 

 

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